Meu nome hoje é contradição, pois estou transitando entre a revolta e a esperança (pouca, bem pouca, confesso).Quando comecei este blog, disse logo que não queria rotulá-lo. Ele não é de scrap ou qualquer outra especificidade. Meu intuito sempre foi fazer dele um instrumento de expressão. Mas, o que acaba acontecendo é que quando estou "com o juízo apertado" acabo poupando quem vem aqui, a não ser que seja uma questão de interesse mais coletivo.
Este fim de semana, em especial, já tinha 2 posts divertidos e cheios de alegria, porque foi assim que acordei 6ª e sábado: muito feliz, por uma infinidade de motivos e, ao mesmo tempo, porque não havia motivo para ser diferente!
Só que ontem, quando íamos almoçar com uns amigos, recebemos a notícia do assassinato de um colega do meu Marido. Todo dia vemos inúmeras notícias que nos levam a refletir sobre a violência e sobre como ela impacta nossas vidas. Mas, é inegável que quando algo acontece com uma pessoa conhecida, é como se "ela" – a violência, tivesse chegado mais perto e nos alcançasse concretamente.
De tantas notícias que assistimos, a violência hoje é quase banalizada e procuro me fortalecer para não me tornar mais refém do que efetivamente somos desta situação absurda que aprisiona nossa sociedade. (Preocupo-me com meu filho adolescente, mas não quero que meu cuidado se transforme em neurose a ponto de impedi-lo de viver, por exemplo. Mas é um trabalho árduo...)
É muito cruel saber que alguém (conhecido ou não) acordou numa manhã de sábado com sua família em pânico porque sua casa estava sendo invadida. Que metralharam a casa tentando entrar e foram embora por falta de munição. Que a pessoa ficou de 10 a 20min tentando ligar para a polícia e não conseguiu pedir socorro. Que após enconder dois filhos de 6 e 8 anos, esposa e mãe (que estava visitando-os), este homem foi atingido por uma bala na cabeça e, enquanto agonizava, tentou mais uma vez pedir ajuda, sem conseguir.
Pensar que estes cerca de 15min poderiam ter mudado a vida de uma família que agora encontra-se num avião de volta a sua terra natal e não pode sequer velar aqui o corpo do seu ente querido, por medo. Uma família que não voltou à casa sequer para pegar seus pertences, com medo de serem mortos. Tudo porque este homem, de pouco mais de 40 anos, denunciou à polícia um tiroteio que acontecera próximo a sua casa.
Não quero me estender, porque não tenho propósito jornalístico, aliás, meu único propósito é desabafar e refletir "em voz alta". Mas, não há como deixar de pensar "que país é este", que mundo é este?
Hoje nosso país sai às urnas e, confesso, nunca estive tão sem esperanças (logo eu que comecei a votar com 16 anos e fui mesária por vontade própria em umas 10 eleições +-). Há grande possibilidade que a eleição no meu estado e em nosso país seja definida no 1º turno, o que significa que o pouco caso, a incompetência, práticas imorais e a improbidade administrativa provavelmente terão continuidade. No caso do nosso estado, dá pena e revolta de ver o lixo e a violência tomando conta e a omissão das administrações municipal e estadual... (há alguns anos, não imaginei que pudesse ficar pior do que estava...).
Agora há pouco, ouvi por acaso no Globo Esporte uma reportagem sobre um adolescente da Vila Cruzeiro, no Rio, que deixou o narcotráfico há cerca de 1 mês acolhido por um programa da iniciativa privada que utiliza o esporte para resgatar crianças e adolescentes, e também incentivado por Madona. E foi por isso, e não pela possibilidade de renovação política, que me senti tocada por um fio de esperança...
Não estou muito boa para escrever hoje, as palavras estão fugindo... Vou terminar por aqui.
Agradeço sua atenção e peço que ore por esta (e tantas outras famílias) para que encontrem conforto e forças para seguir em frente.
"Deus, dai-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu posso e sabedoria para que eu saiba a diferença"
Um beijo grande e que a esperança prevaleça sobre a revolta e o desespero...